Às vezes, me parece que o nascimento deixou de ser visto como uma experiência profundamente individual e começou a ser tratado como uma prova.
Prova de força. prova de resistência. Prova de que a mulher conseguiu viver o parto que havia planejado.
Algumas gestantes chegam até nós dizendo que não querem parecer que sentiram tanta dor. Querem fotografias bonitas, leves e quase românticas daquele dia.
Outras cogitam não registrar a cesárea porque têm medo de que, por acontecer em um centro cirúrgico, as imagens pareçam frias ou mecânicas.
Eu compreendo esses receios. Eles também são resultado da forma idealizada como o nascimento passou a ser mostrado e comparado.
Mas a dor não retira a beleza de uma história. E a cirurgia não retira a emoção de uma chegada.
A nossa fotografia de parto não existe para criar uma versão mais bonita do que aconteceu. Existe para olhar com sensibilidade para a experiência real e guardar aquilo que, no meio de tanta intensidade, a família nem sempre consegue enxergar.
Um parto não precisa parecer romântico para ter sido grandioso. E uma cesárea também é feita de expectativa, emoção e encontro.
Não existe uma única imagem possível para o nascimento. Porque não existem duas histórias iguais.
Talvez a gente precise voltar a enxergar quem estava ali: uma mulher atravessando um dos dias mais importantes da sua vida e um bebê encontrando sua família pela primeira vez.
Nunca será uma competição sobre a via de parto.
É sobre a chegada.