27/09/2026 às 21:34 Parto e Nascimento

Onde foi que a gente se perdeu?

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Às vezes, me parece que o nascimento deixou de ser visto como uma experiência profundamente individual e começou a ser tratado como uma prova.

Prova de força. prova de resistência. Prova de que a mulher conseguiu viver o parto que havia planejado.

Algumas gestantes chegam até nós dizendo que não querem parecer que sentiram tanta dor. Querem fotografias bonitas, leves e quase românticas daquele dia.

Outras cogitam não registrar a cesárea porque têm medo de que, por acontecer em um centro cirúrgico, as imagens pareçam frias ou mecânicas.

Eu compreendo esses receios. Eles também são resultado da forma idealizada como o nascimento passou a ser mostrado e comparado.

Mas a dor não retira a beleza de uma história. E a cirurgia não retira a emoção de uma chegada.

A nossa fotografia de parto não existe para criar uma versão mais bonita do que aconteceu. Existe para olhar com sensibilidade para a experiência real e guardar aquilo que, no meio de tanta intensidade, a família nem sempre consegue enxergar.

Um parto não precisa parecer romântico para ter sido grandioso. E uma cesárea também é feita de expectativa, emoção e encontro.

Não existe uma única imagem possível para o nascimento. Porque não existem duas histórias iguais.

Talvez a gente precise voltar a enxergar quem estava ali: uma mulher atravessando um dos dias mais importantes da sua vida e um bebê encontrando sua família pela primeira vez.

Nunca será uma competição sobre a via de parto.

É sobre a chegada.

27 Set 2026

Onde foi que a gente se perdeu?

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